Fam¡lias amea‡adas no Parque Nacional dos Len‡ois Maranhenses

18/03/2013
Barack Fernandes
O presidente da Fetaema, Chico Miguel, juntamente com representantes de v rias comunidades de Barreirinhas e de entidades da sociedade civil estiveram em audiˆncia nesta segunda-feira (29), com o procurador da Rep£blica, Alexandre Silva Soares, no pr‚dio do Minist‚rio P£blico Federal em SÆo Luis, para denunciar v rias amea‡as que trabalhadores e trabalhadoras rurais estÆo sofrendo dentro do Parque Nacional dos Len‡ois Maranhenses. De acordo com depoimentos dos trabalhadores (as) rurais na audiˆncia, as amea‡as estÆo sendo feitas por fiscais do Instituto Chico Mendes de Conserva‡Æo da Biodiversidade (ICMBio). àrgÆo do governo federal respons vel pela gestÆo e fiscaliza‡Æo do Parque Nacional dos Len‡ois Maranhenses. Dona Maria Pereira, hoje com 63 anos, que nasceu e se criou nos Len‡ois, revelou na sua fala, alguns atos truculentos sofridos pelas comunidades do Parque. "Com muita brutalidade a ICMBio tem atuado para expulsar as pessoas dos povoados. Se agente fizer ro‡a, eles nos multam e levam logo nosso documento de identidade. Se constru¡mos ou conservamos as estradas, eles vÆo l  e amea‡am quem fez. Nossos (as) filhos (as), nÆo podem fazer novas casas. NÆo podemos aumentar nossas planta‡äes e nem cria‡äes. Tudo ‚ limitado de acordo com o que "eles" "ordenam", denunciou a trabalhadora rural Maria Pereira, da comunidade Ponta do Mangue. O trabalhador rural, Ivan Cabral, destacou o tempo que estas fam¡lias j  moram no lugar, revelando que a pr¢pria cidade de Barreirinhas, principal porta de acesso aos Len‡¢is Maranhenses teve in¡cio dentro no povoado Santo Ant“nio, um dos lugares hoje amea‡ados pelos fiscais do Instituto Chico Mendes. "Minha mÆe tem 94 anos e ainda vive em um destes povoados. Nossa cidade de Barreirinhas teve origem em uma destas comunidades. Em 1981 quando o Parque Nacional dos Len‡ois Maranhenses foi criado, n¢s j  exist¡amos", Ivan Cabral, trabalhador rural amea‡ado. A Fetaema fez a den£ncia dos Conflitos de terra dentro do Parque Nacional dos Len‡ois Maranhenses, ainda em 2012, onde aponta o relacionamento autorit rio dos fiscais do ICMBio com as fam¡lias. "O clima ‚ de inseguran‡a total. SÆo v rios nÆos dia ap¢s dia! NÆo fa‡a ro‡a, nÆo crie animal, nÆo construa casa, nÆo fa‡a e nem conserve a estrada, nÆo e nÆo. At‚ uma capela constru¡da recentemente pelos moradores, est  sob amea‡a. O descaso ‚ tanto, que estes povoados em pleno s‚culo 21, ainda vivem sem ter acesso a energia el‚trica, ou seja, ficam privados de pol¡ticas p£blicas, como sa£de, educa‡Æo e at‚ mesmo de informa‡Æo", denunciou o presidente da Fetaema, Chico Miguel. De acordo com os £ltimos dados do IBGE, existem dentro da  rea do Parque, 6500 pessoas vivendo em 42 comunidades. Dentre estes povoados, 3 sÆo assentamentos federais e 7, assentamentos estaduais. Al‚m das produ‡äes e cria‡äes tradicionais, estas fam¡lias ainda sÆo respons veis pela a maior produ‡Æo de caju do MaranhÆo e tamb‚m pelos famosos trabalhos artesanais feitos com a palha do Buriti, conhecidos mundialmente por sua beleza. "Estas pessoas nasceram e se criaram nos Len‡ois, sÆo mais de cem anos vivendo ali. Qualquer laudo antropol¢gico prova facilmente que o lugar ‚ deles. Como podem tratar os nossos (as) trabalhadores e trabalhadoras rurais assim? Se sa¡rem de l  eles nÆo tˆm pra onde ir, nem como produzir. NÆo h  condi‡Æo f¡sica e muito menos social da cidade de Barreirinhas receber estas fam¡lias. O interessante ‚ que os grandes empreendimentos chegam e se instalam com facilidade no MaranhÆo, sÆo empresas de produ‡Æo de g s e at‚ energia e¢lica, por‚m, com estes grupos empresarias, o atual Governo do MaranhÆo nada exige e muito menos expulsa. J  com os (as) trabalhadores (as) rurais o tratamento ‚ excludente e opressor", destacou o presidente da Fetaema, Chico Miguel. Ao final, ficou definida uma audiˆncia com representantes do Instituto Chico Mendes de Conserva‡Æo da Biodiversidade (ICMBio)   n¡vel federal, para tratar da problem tica agr ria na  rea do Parque Nacional dos Len‡¢is Maranhenses. Ficando como pontos de pauta: a instala‡Æo da Rede El‚trica para os povoados; Cria‡Æo do Plano de Convivˆncia, entre outros pontos em benef¡cio das 42 comunidades.
 
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