“Reforma da Previdência vai inviabilizar a vida e  o trabalho no campo”,

17/05/2017
Assessoria de Comunicação Institucional - FETAEMA

O Maranhão e o Brasil estremeceram nos últimos meses com uma série de manifestações populares que tiveram como objetivo principal dizer não ao pacote de reformas em tramitação no Congresso Nacional que visa retirar direitos constitucionais dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros. 

 

O presidente da Federação de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão (FETAEMA), Chico Miguel, vê com muita preocupação essas reformas, destacando os graves prejuízos para quem vive e trabalha no campo. 

 

Confira, a seguir, entrevista com Chico Miguel sobre os impactos destas reformas na vida do trabalhador do campo, na economia dos municípios maranhenses, e a importância da mobilização popular neste momento:

 

O que levou um número tão grande de trabalhadores e trabalhadoras a aderirem às manifestações que aconteceram no Brasil nos meses de março e abril?

 

Os trabalhadores estão começando a tomar consciência de como estas “reformas” que estão em tramitação no Congresso Nacional irão impactar em suas vidas.  Em todo o Brasil, e especialmente no Maranhão, onde temos uma vasta população de trabalhadores e trabalhadoras rurais, a Reforma da Previdência vai retirar direitos de uma forma nunca antes vista por essa geração de trabalhadores, inviabilizando a vida e o trabalho no campo. 

 

No dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, uma parcela expressiva da população brasileira foi para as ruas lutar contra esses retrocessos. Foi um protesto massivo, que parou diversas estradas em todo estado e em todo o país. O ato do dia 15 de março, e a Greve Geral do dia 28 de abril, também foram marcos nos protestos, pois estes chegaram à Esplanada dos Ministérios, com participação de milhares de trabalhadores, inclusive da FETAEMA.

 

Mulheres e homens, de todas as idades, estão saindo às ruas para dizer não ao desmonte das políticas públicas no Brasil. Essas manifestações pacíficas trouxeram mais pessoas para pensar sobre questões como as aposentadorias e os benefícios de milhões de de pessoas em todo o país. 

 

É preciso entender que o que estão chamando de Reforma Trabalhista, Lei da Terceirização e Reforma da Previdência são, na verdade, um desmonte das políticas sociais e de garantias trabalhistas no Brasil, que vai afetar a maior parte dos trabalhadores. 

 

Quais serão os impactos na vida dos trabalhadores e trabalhadoras rurais?

 

Esses projetos de lei, em especial o projeto que trata da Reforma da Previdência, prejudicam todos os trabalhadores e trabalhadoras do campo que, atualmente, possuem um regime de contribuição diferenciado do trabalhador da cidade. O projeto de mudança das regras da previdência ignora o fato de que o trabalho – e especialmente os rendimentos no campo são recebidos de forma diferente, acompanhando os períodos de colheita e comercialização dos produtos cultivados. 

 

A Constituição de 1988 previa essa diferença entre o trabalho no campo e o trabalho urbano e, justamente por isso, determinou que a previdência social fosse diferente para cada grupo. São conquistas históricas da classe trabalhadora, pelas quais muitos companheiros e companheiras perderam a vida.

 

Essas reformas irão prejudicar tanto os aposentados, quanto os trabalhadores da ativa e aqueles que ainda se preparam para entrar no mercado de trabalho. Pela proposta inicial enviada ao congresso pelo governo Temer, os trabalhadores e trabalhadoras rurais teriam uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria, com 25 anos de contribuição. Essa proposta mudou, mas ainda está longe de ser o ideal para a classe trabalhadora.

 

O que o governo não menciona é que a expectativa de vida do trabalhador rural é muito inferior à do trabalhador da cidade. É uma proposta criminosa, pois os trabalhadores irão contribuir durante toda a vida e, muito provavelmente, morrerão antes de se aposentarem. 

 

Os únicos beneficiários desse pacote são o sistema financeiro e os bancos, que lucrarão com as previdências privadas de quem puder pagar.

 

 

 
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